| Defeso
contribui para a recuperação da natureza
Oito milhões de quilômetros quadrados de costa?
É isso aí! Esta é a extensão do
litoral brasileiro.
Dá para imaginar a abundância de peixes? ...
Não é bem assim... Estima-se que 80% das principais
espécies exploradas nessa imensa região estejam
em situação de sobrepesca, ou seja, captura-se
muito mais do que o ambiente tem capacidade de repor.
Realmente o que está acontecendo é que as espécies
de real valor comercial estão, em sua grande maioria,
em declínio.A situação é preocupante
porque existe excesso de captura, isto é, a pesca de
certas espécies está “sobre explorada”.
É o caso, por exemplo, da sardinha, lagosta, camarão,
corvina e a pescada.
Para não chegarmos a um colapso da pesca, as épocas
de defeso foram estipuladas pelo IBAMA. Defeso é um
período de paralisação obrigatória
da pesca sobre um determinado recurso pesqueiro.No nosso litoral
Sul e Sudeste temos os defesos da Sardinha e do Camarão.
No caso da Sardinha, a medida serve para proteger a espécie
nas fases vulneráveis de seu ciclo de vida, ou seja,
no período de pico da desova e do recrutamento da espécie.
A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é o
mais tradicional recurso pesqueiro das regiões Sul
e Sudeste. É uma espécie costeira e de fácil
captura, sendo pescada entre o Cabo de São Tomé/
RJ e o Cabo de Santa Marta Grande/ SC.
Os períodos do defeso da Sardinha são: de 01
de novembro a 01 de março e de 21 de julho a 20 de
setembro.A desova da sardinha ocorre anualmente, entre o final
da primavera e todo o verão. Caracteriza-se pelo tipo
de desova parcelada, ou seja, cada fêmea desova mais
de dez vezes durante o seu período reprodutivo. Garantir
todas as fases é importante, mas o início da
desova é fundamental, pois garante várias contribuições
entre as sucessivas desovas.
Já o defeso do Camarão é de 01 de março
a 31 de maio e serve também para proteger a época
de reprodução da espécie. Entre as espécies
proibidas, estão os camarões: rosa (Farfantepenaeus
paulensis, Farfantepenaeus brasiliensis e Farfantepenaeus
subitilis), sete-barbas (Xiphopenaeus kroyerl), branco (Litopenaeues
schimitti), santana (Pleoticus muelleri) e barba ruça
(Artemesia longinaris).
Com certeza, com a colaboração de todos, não
atingiremos o chamado ponto crítico, o colapso da pesca.
Respeitando os defesos, damos oportunidade para a natureza
se recuperar.
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