Defeso contribui para a recuperação da natureza

 

Realmente o que está acontecendo é que as espécies de real valor comercial estão, em sua grande maioria, em declínio. A situação é preocupante porque existe excesso de captura, isto é, a pesca de certas espécies está “sobre explorada”.

É o caso, por exemplo, da sardinha, lagosta, camarão, corvina e a pescada. Para não chegarmos a um colapso da pesca, as épocas de defeso foram estipuladas pelo IBAMA. Defeso é um período de paralisação obrigatória da pesca sobre um determinado recurso pesqueiro.

No nosso litoral Sul e Sudeste temos os defesos da Sardinha e do Camarão. No caso da Sardinha, a medida serve para proteger a espécie nas fases vulneráveis de seu ciclo de vida, ou seja, no período de pico da desova e do recrutamento da espécie. A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é o mais tradicional recurso pesqueiro das regiões Sul e Sudeste. É uma espécie costeira e de fácil captura, sendo pescada entre o Cabo de São Tomé/ RJ e o Cabo de Santa Marta Grande/ SC. Os períodos do defeso da Sardinha são: de 01 de novembro a 01 de março e de 21 de julho a 20 de setembro.

A desova da sardinha ocorre anualmente, entre o final da primavera e todo o verão. Caracteriza-se pelo tipo de desova parcelada, ou seja, cada fêmea desova mais de dez vezes durante o seu período reprodutivo. Garantir todas as fases é importante, mas o início da desova é fundamental, pois garante várias contribuições entre as sucessivas desovas.

Já o defeso do Camarão é de 01 de março a 31 de maio e serve também para proteger a época de reprodução da espécie. Entre as espécies proibidas, estão os camarões: rosa (Farfantepenaeus paulensis, Farfantepenaeus brasiliensis e Farfantepenaeus subitilis), sete-barbas (Xiphopenaeus kroyerl), branco (Litopenaeues schimitti), santana (Pleoticus muelleri) e barba ruça (Artemesia longinaris). Com certeza, com a colaboração de todos, não atingiremos o chamado ponto crítico, o colapso da pesca. Respeitando os defesos, damos oportunidade para a natureza se recuperar.